Castlevania: Lords of Shadow

Género: Acção
Produtora: Mercury Steam
Editora: Konami
Lançamento: 2010

A série Castlevania, apesar de ser conhecida por todos os jogadores, nunca atingiu o patamar de vendas desejado que a sua produtora, Konami, sempre ambicionou. Desde a NES que a série tem recebido sequela atrás de sequela e, entre mecânicas melhoradas e introduzidas, a série ganhou um estatuto de culto ao que também está ligado ao seu alto nível de dificuldade.

Mesmo que assim seja a série só conseguiu vingar numa fórmula side-scrolling pelo que as incursões em 3D na N64 e na PS2 foram mal recebidas pela crítica. Atenta a estas opiniões e admitindo a incapacidade de “refrescar” a série a Konami encarregou a produção da próxima entrega da série à Mercury Steam. Mais do que tentar dar mecânicas actuais à série o estúdio espanhol ficou encarregue não de uma normal sequela mas de um reboot o que significa que todos os feitos da linhagem Belmont (família protagonista da série) tiveram de ficar para trás. Para esta tarefa a Mercury Steam teve também a ajuda da Kojima Productions, que, tal como o nome indica, é encabeçada pelo próprio Hideo Kojima, criador de Metal Gear Solid e Zone of the Enders.

Castlevania: Lords of Shadow conta história de Gabriel Belmont, um membro da Brotherhood of Light (uma ordem santificada de cavaleiros) cuja tarefa é encontrar e matar os Lords of Shadow, entidades responsáveis pelo aparente desequilíbrio entre o Paraíso e o Inferno, o que se manifesta através de um maior número de demónios a vaguear pela terra. Para além deste motivo Gabriel está nesta jornada com um propósito mais pessoal. A sua mulher, Marie, foi assassinada dias antes e, sabendo que cada Lord of Shadow detém em seu poder um pedaço da God Mask (que supostamente consegue ressuscitar os mortos), Gabriel parte em busca desse artefacto. Durante a aventura irão juntar-se várias personagens como a jovem Claudia e o seu guardião, a perturbadora Laura, o mítico deus Pan, os próprios Lords of Shadow e Zobek, um dos membros mais antigos da Brotherhood of Light que para além de ajudar Gabriel irá narrar o desenrolar dos acontecimentos. Ao contrário do que pode parecer um ponto positivo é o facto de o jogo não nos limitar à história principal pois existem secções em que terão de lidar com outros acontecimentos independentes. Irão, por exemplo, fazer uma visita a um castelo abandonado onde terão de derrotar um gigante e uma bruxa que, mesmo que não traga nenhum desenvolvimento há trama principal fornece variedade e credibiliza a ideia que a terra está, de facto, repleta de criaturas perigosas. Mesmo que a história não seja o ponto de destaque de Castlevania: Lords of Shadow esta até consegue surpreender nos desenvolvimentos finais.

Nos antigos Castlevania em 3D o maior defeito era sobretudo a jogabilidade que, entre combates que remetem para Devil May Cry e secções de plataformas atabalhoadas, não conseguiram reter a essência da série. No entanto, em Lords of Shadow, os combates são realmente o ponto alto do jogo e, mesmo que lembre God of War, consegue notabilizar-se com as numerosas combos (compradas através de experiência com o contínuo chacinar de monstros) e com um sistema de combinação entre diferentes magias: a Light e Shadow Magic (já lá chegarei). Tal como é tradição (embora nem sempre respeitada) em Castlevania a principal arma de Gabriel é um chicote, com o nome de Combat Cross, que irá sofrer upgrades com o desenrolar do jogo. Para além do chicote terão ao dispor armas secundárias como adagas, água benta e até fadas. A Light e Shadow Magic são dois tipos diferentes de magias que, como tal, servem propósitos diferentes. Com a Light Magic activa serão capazes de, com cada golpe, se curar enquanto com a Shadow Magic o dano infligido será maior. Pode parecer simples mas se adicionarem combos e poderes específicos a cada tipo de magia o combate ganha contornos estratégicos até porque se tem de ter um cuidado acrescido para os inimigos não interromperem as combinações de ataques pois esta é a única forma de os medidores de Light e Shadow Magic não se esgotarem. O combate em Castlevania: Lords of Shadow está extremamente bem construído pois, mesmo que seja de fácil acessibilidade, tem grande profundidade e exige que o jogador o domine para ser realmente bem sucedido. O único ponto de negativo neste neste campo vai para a forma como a Mercury Steam separou a defesa da evasão. Os dois movimentos exigem que se pressione o botão de “defender” mas para se evadirem terão de carregar nesse botão enquanto se deslocam para qualquer sítio o que, mesmo no final do jogo, causa alguma confusão e nem sempre conseguirão defender-se apropriadamente.

Quando não estiverem a combater podem contar com secções de plataformas onde, para além dos habituais saltos e provas de equilibrismo, irão dar uso não só aos upgrades da Combat Cross como também a novos poderes recebidos após a derrota de bosses. Contudo estas secções exigem habituação pelo que, ao inicio, serão responsáveis por uma boa dose de frustração.

Para além de tudo isto a resolução de puzzles será uma constante e, independentemente do seu nível de dificuldade (que, devo dizer, não é das mais elevadas) há um factor que nem sempre vai simplificar a sua resolução. Em muitos deles a solução não será clara e, por isso, o jogo dá pistas para a sua resolução sendo que o problema está na clareza dessas pistas que nem sempre é a melhor. Contudo, caso não os queiram resolver também têm a opção de os resolver automaticamente e, nesse caso, não terão direito a um bónus de pontos de experiência. No que respeita a progressão de jogo esta é linear e, mesmo que por vezes se encontre ramificações estas dirigem a pergaminhos de soldados falecidos da Brotherhood of Light (que servem apenas para dar mais pormenor à aventura ou até para descrição do terreno que se segue), a gemas que podem aumentar o medidor de saúde e magias (ao estilo de God of War) ou a um regresso ao caminho principal. Durante o jogo irão encontrar também inimigos como lobisomens de maior porte, grandes aranhar e trolls que podem servir como montadas e que não servem puramente como uma nova forma de matar inimigos menores mas são sim como uma necessidade para progredir pois existem obstáculos que só eles podem ultrapassar (leia-se ravinas e grandes rochedos). O único problema com que me deparei durante o jogo foram alguns bugs que me habituaram a reiniciar do último ponto de gravação mas nunca foram demasiado frequentes ao ponto frustar.

Já referi a presença de bosses mas convém enaltecer que Castlevania tem um grande leque destes inimigos. Para além de serem bem diferentes entre si as lutas conseguem ser desafiantes e marcantes, em especial três que fazem lembrar Shadow of the Colossus. Mesmo que os encontros com estes (gigantescos) inimigos nunca cheguem às proporções épicas do jogo da Team ICO, as lutas estão bem construídas e conseguem ser bem emocionantes.

Também no departamento gráfico o jogo consegue surpreender. A câmara fixa permite captar paisagens realmente belas como são exemplos um pôr-do-sol, um castelo no meio de uma tempestade e uma impressionante tempestade de areia. Os modelos de personagens e animações estão também muito bem-feitos com especial destaque para as texturas bem trabalhadas e cheias de pormenor. Irão visitar diversos sítios e é realmente notável a variedade de ambientes que estão presentes como aldeias, pântanos, os habituais castelos , montanhas e desertos. A mesma qualidade não se verifica em expressões faciais de algumas personagens como Zobek e Marie que, mesmo que sejam credíveis, podiam ter sido alvo de uma maior atenção e pormenor como Gabriel, com emoções que conseguem ser bem visíveis. No entanto há que referir a grande expressão gestual das personagens que conferem grande dramatismo também ele assinalável no diálogo.

No campo vocal são reconhecíveis grandes talentos do cinema entre os quais Jason Isaacs e Patrick Stweart que dá voz a Zobek, o narrador, e que, por vezes, dá a sensação de estarmos não a jogar a um jogo mas a ouvir uma história, dada a grande qualidade vocal. Na voz de Gabriel temos Robert Carlyle que, para além de competente no papel, contribui com um distinto sotaque escocês que dá grande personalidade à personagem. Grande parte das melodias habituais foram substituídas por novos temas mais sombrios de forma a reforçar esse tipo de ambiente e os efeitos sonoros, de uma forma geral, estão bem conseguidos sem conseguir impressionar.

Ao contrário de outros jogos do género que se revelam algo curtos, Castlevania: Lords of Shadow tem uma longevidade assinalável de mais de 15 horas, distribuídas ao longo de 12 capítulos com um número variável de sub-capítulos e ainda quatro níveis diferentes de dificuldade. Adicionem à longevidade a repetição de sub-capítulos com objectivos secundários como limites de tempo e até exploração pormenorizada de terreno em busca de upgrades para as armas secundárias. Podem ainda coleccionar um grande número de artworks e extras para o fato de Gabriel relacionados com Solid Snake não passarão despercebidos aos fãs de Metal Gear Solid sendo que a ajuda na produção de Hideo Kojima se faz notar ainda com uma surpresa no final dos créditos que dão pistas do que se pode seguir no próximo Castlevania.

Enquanto jogava Castlevania: Lords of Shadow lembrei-me de alguns grandes jogos da indústria como Shadow of the Colossus e, em especial, God of War que parece ter sido alvo de inspiração por parte dos produtores da Mercury Steam para a jogabilidade. Mesmo que assim seja a ideia que pode ficar é que Castlevania é um clone barato do jogo da Sony e tal não é verdade. O sistema de magia de Lords of Shadow é altamente recompensador e, como já disse, dá contornos estratégicos tal como o grande número de combos permitem um combate variado e mesmo assim muito fluído. Devido a isto, Castlevania demarca-se dos jogos de acção existentes no mercado tendo uma personalidade própria, digna da série Castlevania. Não irei tão longe ao ponto de afirmar que é um jogo obrigatório para todos os fãs da saga pois as diferenças entre jogos 2D e 3D são demasiadas para serem ignoradas e enunciadas mas uma vista de olhos nunca fez mal a ninguém. Já no que respeita a fãs de jogos de acção esses têm aqui uma óptima opção, não só por conseguir ser desafiante com o combate mas também por ser um dos jogos do género mais longos que se pode encontrar actualmente no mercado, oferecendo assim muitas horas de jogo.

Gráficos: 92
Som: 88
Jogabilidade: 92
Longevidade: 93
Pormenores: 90

Nota final: 91

5 responses

3 11 2010
13phoenix13

Excelente trabalho! Análise muito completa e pormenorizada, e o jogo é realmente espectacular!

16 05 2012
ORIENTE.THIAGO@HOTMAIL.COM

JOGO ESPETACULAR LINDOS CENÁRIOS BATALHAS CONSTANTES Á UNICA COISA QUE EU NÃO ENTENDI FOI O FINAL E A MUDANÇA DAS CAMERAS.

16 05 2012
elgrandepato

A câmara fixa é uma opção segura em jogos de acção deste género. God of War também tem e joga a seu favor 😉 o melhor deste jogo é o sistema de combate que, sinceramente, é dos melhores desta geração. Espero que que anunciem um Lords of Shadow 2 o quanto antes 😉 cumprimentos

30 07 2012
Mari Rodrigues

eu e meu marido acabamos de dar final no castlevania curse of the darkness.. muito bom… vamos comprar o ps3 para jogarmos os outros castlevania’s….

30 03 2013
Gustavo Sullivan

O jogo é exelente, ótimos gráficos ja os gráficos dos personagens eu achei q poderia ser melhor. Eu so viciado na saga Castlevania ja fechei todos inclusive esse… To ansioso pra lançarem o 2 logo, o jogo é fodah !!!

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