The Legend of Zelda: Majora’s Mask

Mesmo que nunca tenham ouvido falar de Shigeru Miyamoto de certeza que já viram o fruto do seu trabalho. A criação de ícones como Super Mario, Donkey Kong e Star Fox estão no seu currículo e isso é mais do que suficiente para lhe atribuir o estatuto de culto que todos os jogadores lhe conferem. The Legend of Zelda é outra das séries que criou e, assumindo-se como uma das grandes franchises da Nintendo, também manteve a sua grande qualidade ao longo de mais de duas décadas. Mesmo que todos os The Legend of Zelda se tenham destacado pela positiva é Ocarina of Time (lançado para a Nintendo 64 em 1998) que é reconhecido como o melhor jogo da série, isto ainda nos dias de hoje. Não só por ter sido o primeiro jogo da série num plano 3D (fê-lo com tremendo sucesso) como também ofereceu uma história e mecânicas memoráveis. O que se seguiria na série? Como continuar a agradar os fãs?

A resposta, por incrível que pareça, não foi dada pelo experiente Shigeru Miyamoto (o encarregado pela produção até aí) mas sim por Eiji Aonuma (que havia sido assistente em Ocarina of Time) que, em vez de fazer um jogo inteiramente novo com um Link diferente, decidiu fazer uma sequela directa.

The Legend of Zelda: Majora’s Mask foi lançado em 2000 e é, tecnicamente, muito similar ao título anterior mas, mesmo que tenha a mesma personagem principal e referências a Ocarina of Time, conta uma história inteiramente nova e leva a série do reino de Hyrule para a terra de Termina. Portanto, não contem com o aparecimento de personagens clássicas como a princessa Zelda e Ganondorf, o vilão habitual da série. É justo dizer também que, apesar das alterações quase mínimas, estas são suficientes para Majora’s Mask se fazer notabilizar pela originalidade.

O jogo começa alguns meses depois os acontecimentos de Ocarina of Time com Link, montado no seu cavalo Epona, de passagem por uma floresta quando o mascarado Skull Kid, acompanhado pelas fadas Tael e Tatl, rouba Epona e a ocarina do tempo (oferecida por Zelda). Link segue a estranha personagem para uma gruta onde este dá a entender que fez desaparecer Epona e transforma Link num Deku Scrub (criaturas de floresta), que, consequentemente, fica desprovido dos seus equipamentos. De seguida, o Skull Kid foge deixando a fada Tatl para trás, que, enfurecida, se decide juntar a Link de forma a reunir-se de novo com a irmã. Assim, Link chega à torre do relógio de Termina onde o Happy Mask Salesman (vendedor de máscaras conhecido pelos jogadores de Ocarina of Time) explica a origem do Skull Kid. Ao que parece é um Deku Scrub responsável por lhe ter roubado a Majora’s Mask, uma máscara única com poderes maléficos. O vendedor refere então que pode ajudar Link se ele recuperar a ocarina e a Majora’s Mask.

Ao sair da torre do relógio é possível perceber que, para além da agitação causada pela preparação da festividade da cidade de Termina, surgiu uma enorme lua, que ameaça despenhar-se sobre aquela terra. Cabe então a Link encontrar quatro inimigos (cada um no seu respectivo templo) que, quando derrotados, ressuscitarão quatro guardiães capazes de impedir o iminente apocalipse. Isto claro, no espaço de tempo de 72 horas.

A história não foge ao que é normal em um The Legend of Zelda mas mesmo assim consegue ser a narrativa mais original de toda a série. A ausência de elementos clássicos pode causar estranheza aos veteranos da franchise mas é precisamente aí que reside a qualidade de Majora’s Mask. Aproveito também para referir que as personagens são extremamente carismáticas e, deste conjunto, destaco o novo vilão, Skull Kid. É, ainda para os padrões de hoje, uma personagem extremamente bem construída e, sem sombra de dúvida, a mais profunda de todo o jogo. Deixo como chamada de atenção que a origem da personagem deverá despertar alguma surpresa aos que jogaram Ocarina of Time.

Como já referi o jogo passa-se em três dias virtuais mas este factor tem muito mais que se lhe diga para além de um objectivo meramente estético. Logo na introdução em Termina, quando se procura uma forma de chegar ao cimo da torre do relógio, o jogador tem três dias (na prática 72 minutos) para o fazer, e, caso não o consiga, o desastre irá concretizar-se. Esta mecânica é repetida ao longo de todo o jogo mas cataclismo pode ser constantemente evitado recorrendo à ocarina do tempo.

Este artefacto tem em Majora’s Mask um papel muito mais importante do que no antecessor, pois não só é a única maneira de voltar atrás no tempo (à madrugada do primeiro dia) como também de gravar o jogo. Caso não consigam, por exemplo, completar um templo no espaço de tempo delineado, terão de voltar ao primeiro dia, e refazê-lo, sendo que munições (por exemplo para o arco e até bombas) e chaves irão desaparecer. Há que fazer uma boa gestão do tempo e planear da melhor maneira uma incursão pelos vários territórios de Termina. Exige, portanto, uma boa dose de paciência por parte dos jogadores, assim como rapidez na exploração das masmorras e na conclusão dos muitos puzzles. Todavia, e apesar da restrição do tempo, a exploração continua a fazer parte dos grandes atractivos do jogo tal como os combates de espada (com uma grande variedade de inimigos para matar, que diferem de área para área) e do coleccionar dos muitos itens (entre os quais o clássico Hookshot para aceder a locais mais afastados e a Lens of Truth, para conseguir ver objectos invisíveis) que, por vezes, irão exigir uma pequena dose de magia. Sendo o primeiro jogo da série num plano 3D, Ocarina of Time fez-se munir de um sistema de mira de forma a facilitar a vida aos jogadores. Majora’s Mask recorre ao mesmo sistema e continua a ser tão preciso e eficaz como anteriormente, sendo por vezes estritamente necessário para que o jogador se possa localizar no meio dos combates. A câmara de jogo não é completamente maneável, sendo que o jogador terá de estar sempre a reajustá-la para que se coloque precisamente atrás de Link, mas, ao contrário do que pudesse acontecer, acaba por não interferir negativamente na jogabilidade.

Em Ocarina of Time era possível descobrir uma pequena quantidade de máscaras (coleccionadas através de missões secundárias) mas em Majora’s Mask esta vertente foi alargada e podem contar com um total de 24 máscaras por descobrir, sendo que cada uma tem propriedades e habilidades únicas, muitas vezes essenciais para avançar na história, tal como são exemplos a máscara de Goron (seres que habitam as montanhas) e Zora (criaturas aquática humanóides) com que se pode, respectivamente, subir grandes declives e nadar a grande velocidade. Tal como em Ocarina of Time, as melodias estão presentes e, mesmo que sem menor quantidade, são sempre úteis para deslocações rápidas e para alterar estados de tempo e até passar o tempo mais devagar.

Mesmo que os gráficos sejam suportados pelo mesmo motor gráfico de Ocarina of Time (e por isso já com uma certa idade) é surpreendente constatar que não envelheceram de forma negativa. As animações são as que menos impressionam pela sua grande semelhança ao título anterior (mesmo assim são um exemplo para os jogos da época) mas texturas são perfeitamente distinguíveis, os efeitos de luz e embates de espada conseguem impressionar e o aumento de tamanho da lua de dia para dia é, ainda para os dias de hoje, uma visão assombrosa. É de facto notável que, uma adição tão simples ao cenário tenha conseguido ser portadora de toda a carga negra e sinistra do jogo, tão pouco usual na série até este ponto.

As melodias da série The Legend of Zelda estão entre as mais reconhecidas e populares de toda a indústria e Majora’s Mask não envergonha o conjunto. A componente sonora de qualquer jogo deve complementar bem a acção do momento mas, em Majora’s Mask, as melodias conseguem realmente prender a atenção do jogador, tal não é a sua qualidade. Longe de melodias alegres e com muito ritmo, muitas das novas faixas são soturnas de forma a complementar da melhor forma o ambiente sinistro que se vive. Especial atenção para a melodia que acompanha os últimos minutos da população de Termina, acompanhada por sinos (augurando o iminente apocalipse) e sempre capaz de incutir arrepios e emoções fortes. Tal como tem sido hábito na série, as personagens não são suportadas por vozes mas sim por textos e, ocasionalmente, por ruídos indistinguíveis. Mesmo assim os efeitos sonoros estão bem concretizados, como é exemplo os embates de espada (diferenciados pelo material em que acertam como metal, madeira e pedra) e o ruído de passos.

Como em qualquer The Legend of Zelda há muito mais para fazer para além da história principal. Podem explorar Termina, procurar fadas escondidas nos templos, descobrir pedaços escondidos de coração de forma a aumentar a barra de vida e completar Spider House’s. Em Ocarina of Time tinha-se de explorar todo o reino de Hyrule em busca das Gold Skulltulas (aranhas douradas) e, quando entregues, tinha-se direito a diversos prémios. Em Majora’s Mask continua a haver Gold Skulltulas para matar mas, desta vez, estão em casas próprias sobre as quais recaiu essa maldição. Quando completas num determinado período de tempo pode-se desbloquear prémios exclusivos de cada casa.

Contudo, Majora’s Mask não seria um jogo digno da série se não tivesse as usuais missões secundárias, sendo que nesta entrega assumem uma importância muito maior do que têm vindo a ter até este ponto.

O ponto forte de Majora’s Mask é sem dúvida o seu ambiente, que se faz munir das suas (carismáticas) personagens pois, desta forma, o ambiente consegue ser credível o suficiente para causar o devido impacto junto do jogador. As missões secundárias são uma forma de aproximar¬-nos desta grande variedade de personagens que habitam a terra de Termina e esta acaba por ser a maneira mais acertada de aproveitar tudo o que o jogo oferece, em detrimento da exploração de templos e masmorras. Ao completarem as missões secundárias também poderão ter todas as máscaras, sendo que no final, os mais pacientes terão a devida recompensa.

The Legend of Zelda: Majora’s Mask pode ser visto com opiniões mistas. Mesmo que respeite os cânones da saga clássica da Nintendo, dá-lhes uma “cara lavada”, adicionando elementos que podem não ser bem recebidos pelos fãs mas que contribuem em muito para a originalidade do jogo. Um foco maior nas missões secundárias e do que nas (poucas) masmorras e o facto de todo o jogo ser cronometrado podem ser um desses motivos. No entanto, Majora’s Mask é um jogo diferente de tudo o que podem ter jogado e recria na perfeição um ambiente soturno de apocalipse, como, sou sincero, não havia visto até aqui.

Pode não ser um jogo para todos os fãs da saga, nem para todos os jogadores mas é uma das maiores pérolas do belo legado deixado pela Nintendo 64 e, embora a sua qualidade possa não ser unânime, é uma grande resposta ao gigante que é Ocarina of Time.

Gráficos: 90
Som: 93
Jogabilidade:94
Longevidade:89
Pormenores:96

Nota final:93

4 responses

31 10 2011
Skull kido

Bem já joguei e adorei! Nota-se pelo meu apelido. A musíca do 1 dia parada normal. A musíca do 2 dia, leve acalmante, porem com aquela MALDITA LUA AMEAÇANDO CAIR NA SUA CABEÇA!!!!
E a musíca do 3 dia, rapída! Sinistra! Apressadora! Tudo isso deixa o jogo “empolgante”. Na minha nota: 10.0000!!
KKKKk! Já e demais! Ótima matéria!

1 11 2011
elgrandepato

Não há nada na série igual a Majora’s Mask e há que valorizar isso 😉 obrigado pela opinião.

1 03 2012
SAULO AUGUSTO DUARTE

Para falar a verdade o único game da série Zelda que eu ouvi falar foi The Legend of Zelda: A Link to the Past, da plataforma SNES. Majora’s Mask é uma novidade para mim, já que eu nunca tive um Nintendo 64(N64). Ouvi falar que alguns games do N64 utilizavam um expansion pak para poder rodar e Majora’s Mask não era exceção.

2 03 2012
elgrandepato

As diferenças gráficas relativamente ao antecessor, o Ocarina of Time, são óbvias. O Expansion Pak foi muito bem-vindo 😉

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