Vanquish

Os rapazes (e raparigas certamente) da Platinum Games não são desconhecidos de qualquer jogador informado. Formada pelos membros da extinta Clover (Okami, Viewtiful Joe e God Hand) a produtora é representada agora pela Sega mas não se pense que por terem mudado de nome que a qualidade mudou. Os seus jogos já lançados Madworld (um título algo invulgar na Wii) e Bayonetta (um jogo ao estilo de Devil May Cry para a PS3 e X360) demonstram bem o que a produtora nipónica é capaz de fazer, especialmente ao nível de originalidade. O mesmo se pode dizer de Vanquish, um jogo de acção com a mão do mesmo criador de Resident Evil, Shinji Mikami.

Começando pela narrativa há que dizer que se procuram uma história de proporções épicas não a vão encontrar aqui. No futuro a população mundial teve um rápido crescimento e, dessa forma, foi preciso encontrar novas fontes de energia. Os E.U.A. lançaram então uma estação espacial para acumular energia do sol e um grupo nacionalista russo com o nome de Order of the Russian Star tomou-a de assalto, arrasando logo no começo do jogo a cidade de São Francisco. Assim, é mobilizado o exército americano que conta com uma ajuda da DARPA (uma agência de defesa bélica), um fato de nome ARS (Augmented Reaction Suit) usado por Sam Gideon. Esta será a personagem que encarnaremos e pode-se dizer que Sam consegue ser bastante carismático. O mesmo não se pode dizer de outras personagens que entram perfeitamente nos clichés habituais como o comandante “duro” Robert Burns e o soviético terrorista Victor Zaitsev (que, mesmo assim, consegue ser bastante ‘cool’). Sam recebe também ordens confidenciais de resgatar o Professor Candide, o pesquisador responsável pelo fato ARS, e que estava a bordo da estação espacial na altura em que o grupo terrorista (composto por robôs) tomou o controlo. A história como já disse não será merecedora da maior das atenções mas nunca transpõe os limites do aceitável.

O verdadeiro atractivo em Vanquish é realmente a sua jogabilidade que, mesmo sendo um ‘third person shooter’ (um género que não tem sido alvo de grandes evoluções), consegue dar uma lufada de ar fresco aos fãs de jogos de acção. Normalmente num jogo deste género o que o jogador faz é avançar à medida que se abriga de fogo inimigo e, mesmo que se possa fazê-lo em Vanquish, para quê essa abordagem quando podemos fazê-lo com mais estilo? A par desta abordagem mais lenta e cautelosa (que é marca da série Gears of War) o jogador pode nem parar no cenário e, para isto, o fato ARS conta com propulsores acoplados que permitem uma rápida movimentação no cenário assim como o ‘bullet time’ (efeito “câmara lenta”), necessário quando se está rodeado de inimigos. Todavia, está presente uma barra que mede o aquecimento do fato e é possível, à medida que se usam estas habilidades, que se esgote pelo que terá de se esperar que o fato arrefeça, ficando o jogador privado de cerca de 30% da sua movimentação assim como estas habilidades. Nesta posição fica-se numa posição extremamente vulnerável pelo que é necessário manter o nível de aquecimento do fato debaixo de olho. O que fará com que este barra se esgote num ápice são ataques físicos, que mesmo sendo extremamente poderosos, não podem ser sempre usados com o risco de uma morte prematura no campo de batalha. Esta opção pode ser difícil de entender mas eleva o jogo a um nível mais estratégico e, caso não o tivesse, poderia tornar os sucessivos combates bem repetitivos.

No que diz respeito a armamento o jogo cumpre os requisitos e não só estão presentes as habituais metralhadoras, shotguns e lança mísseis como também lança discos (que podem usar como serras em ataques corpo a corpo) e até uma capaz de fazer ‘lock-on’ em vários adversários. Contudo a verdadeira novidade é a forma como as armas se trocam e são adquiridas. Juntamente com o fato ARS, Sam está equipado com um sistema de nome BLADE, capaz de “copiar” e trocar entre qualquer arma que tenham no momento. Para além disto também há um sistema de evolução das várias armas, não só através de upgrades presentes no cenário mas também ao apanhar munições quando as respectivas armas não precisem. À medida que se fazem estes upgrades as armas irão aumentar o número de munições e até o poder de fogo. Ao longo da aventura também irão encontrar bosses que, a par da sua dimensão, conseguem ser um bom desafio. Mesmo que o jogo tenha um nível de dificuldade acentuado os produtores não o tornaram impiedoso sendo que, quando estiverem à beira da morte o jogo entra automaticamente no modo de “câmara lenta”, proporcionando uma boa oportunidade para buscar abrigo de fogo inimigo. Um aspecto singular do jogo é que após cada subcapítulo será atribuída uma determinada pontuação à prestação do jogador e serão tidos em conta aspectos como o número inimigos abatidos, as vezes que se morreu, o tempo que se demorou a completar essa fase e até a percentagem de cobertura a que o jogador recorreu, o que faz lembrar os jogos de arcada mais antigos que, de tão raros nos jogos dias de hoje, aspectos como este são sempre bem-vindos.

O jogo está cheio de movimentos ‘over the top’, a acção é frenética e gratificante e, verdade seja dita, dar um ‘headshot’ num robô nunca se torna repetitivo. Também é vivamente recomendado que não se ignore o tutorial inicial.

Este é realmente, como já disse, o ponto mais forte de Vanquish mas o que dizer do grafismo? Tudo o que posso dizer é que consegue aguentar bastante bem toda a acção non-stop que passa pelo ecrã e não só consegue suportar como também o faz bem. O jogo passa-se todo na estação espacial e, por isso, é constituído maioritariamente por prédios futuristas, à excepção de uma parte que decorre numa floresta, numa tentativa algo forçada de conferir variedade na localização. O pormenor interessante é que, independentemente do sítio em que estiverem, consegue-se ver grande parte da estação (à imagem de Halo) e o efeito é impressionante. O mesmo se pode dizer das animações exemplarmente bem feitas, onde é possível ver até a peça mais pequena do fato ARS a mexer-se assim como a transformação de armas do sistema BLADE, as balas a passar uma a uma quando se está no modo de “câmara lenta” e até o efeito de calor quando o fato está a arrefecer. Está, de facto, muito bem conseguido. Mesmo que alguns bosses sejam reciclados de fases anteriores do jogo estes conseguem sempre encher o ecrã de mísseis (que o jogador pode destruir individualmente se assim o quiser) e os inimigos mais comuns conseguem ser variados e sem nunca aborrecer em demasia. A única crítica que faço a esta parte do jogo é que a paleta de cores não é a mais variada, nunca indo além dos brancos e cinzentos. Mesmo assim este pequeno defeito (se é que se pode dizer isso) não chega para manchar os bonitos gráficos de Vanquish.

Já o departamento sonoro poderia ter sido alvo de mais atenção. Não que as músicas electrónicas fiquem mal aos combates, muito pelo contrário. São adequadas e ritmam bem o decorrer da acção. Por outro lado as vozes não se destacam tanto quando deveriam, o que não contribui da melhor forma para a credibilização da história. As únicas excepções são as vozes do protagonista Sam Gideon e, numa nota mais pessoal, o acentuado sotaque russo do vilão Victor Zaitsev que dá grande distinção à personagem. Contudo, a sincronização das falas com o movimento dos lábios mancha as prestações dos actores. Isto pode ser explicado pela grande quantidade de idiomas, sempre positivo mas que podia ter sido complementada com uma melhor sincronização.

O ponto menos positivo é a sua longevidade que dura apenas 5-6 horas e a ausência de modo online de nada ajuda para que esta falha seja colmatada. Como compensação estão presentes vários níveis de dificuldades e modo onde terão de aguentar sucessivas vagas de inimigos. Este modo consegue ser bem desafiante e para certos jogadores esta será uma boa forma de aumentar a longevidade até porque dificilmente será feita à primeira tentativa dado a sua dificuldade. As já referidas pontuações não são simplesmente decorativas. A pontuação após terminada a campanha será colocada num ranking onde os jogadores lutarão por um lugar cimeiro por isso esperem muita competição à moda antiga.

Vanquish não é recomendado para todos. O seu estilo frenético e explosivo não irá agradar a todos mas mesmo assim é inegável que transpira originalidade. Como já disse, o género ‘third person shooter‘ não tem conhecido grandes evoluções nos últimos anos e Vanquish consegue demarcar-se da concorrência não recorrendo a mais nada senão à sua distinta jogabilidade, prova do grande trabalho da talentosa Platinum Games e do icónico Shinji Mikami. Posto isto, Vanquish é um jogo que exige que seja pelo menos experimentado por qualquer fã de jogos de acção que, dificilmente ficarão desapontados.

Gráficos: 93
Som: 80
Jogabilidade: 95
Longevidade: 79
Pormenores: 89

Nota Final: 86

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One response

23 11 2010
flyergd

Boas pato!
Fazes bem em manter o teu blog!
A review está muito boa e para mim a unica coisa que lixou a nota do jogo é a baixo longevidade…
continua o bom trabalho.

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