Devil Will Cry

A série Resident Evil sempre teve um grande sucesso perante o público de todo o mundo e, portanto, é natural que a Capcom queira tirar partido dessa situação. Após o sucesso de Resident Evil 3, começaram a surgir ideias para o quarto capítulo da série para que este fosse diferente dos anteriores. Todos sabemos que o acabou por ser mas o que muitas pessoas não sabem é que existiram várias versões de Resident Evil 4 e, numa das primeiras experiências, o jogo com que a Capcom se deparou era tão diferente de Resident Evil que a produtora nipónica decidiu fazer uma franchise totalmente nova com base nessas novas ideias. Essa franchise acabou por ficar conhecida como Devil May Cry.

Devil May Cry foi lançado em 2001, no começo de vida da Playstation 2 e, quer se ame quer se odeie, a influência deste jogo nos jogos de acção que se lhe seguiram é inegável. Devil May Cry oferecia aos jogadores acção over the top, cheias de ritmo e com um sistema de combos que incentivava à tentativa de novos golpes. Dante, o protagonista meio humano meio demónio, também acabou por ser tornar um ícone do género hack ‘n slash assim como uma das melhores personagens criadas nessa geração de consolas. Um dos jogos mais conhecidos que retirou inspiração de Devil May Cry é, sem dúvida, God of War, que acabou por retirar ideias no que diz respeito ao tipo de gameplay.

Apesar de o segundo título ter ficado um pouco aquém das expectativas, a prequela da série, Devil May Cry 3: Dante’s Awakening, acabou por ser um dos melhores jogos de acção da geração da Playstation 2, uma vez que melhorou tudo o que havia por melhorar. Este terceiro título conseguiu contar uma boa história (com base na relação amor/ódio entre Dante e o seu irmão gémeo Vergil) e ainda melhorou em todos os aspectos o género hack ‘n slash, ao acelerar o ritmo, oferecer mais armas, mais golpes, mais possibilidades de combos, melhores bosses e, sobretudo, diferentes tipos de combate que o jogador poderia evoluir de acordo com o seu estilo. O jogo ainda realçou mais o carácter desafiante do jogo, algo que acabou por afastar muitos jogadores mas que, pelo menos para mim, se tornou um factor bastante positivo. Para além disto, Devil May Cry 3 também realçou ainda mais a personalidade irreverente de Dante, que, devido à sua juventude, era arrogante, vaidoso e sem levar nada demasiado a sério. Devil May Cry 3: Dante’s Awakening mantém-se até hoje como um dos meus jogos preferidos de sempre e o que mais vezes completei até à data (cerca de treze vezes e irá continuar a aumentar), sendo natural que as minhas expectativas estavam ao rubro para a estreia na geração Playstation 3/Xbox 360, e que acabou por ser um dos motivos da compra de uma consola de nova geração uma vez que um dos primeiros trailers de anúncios de jogos para a Playstation 3 era precisamente de uma sequela de Devil May Cry.

Apesar de Devil May Cry 4 ter mantido praticamente tudo o que fez de Devil May Cry 3 um sucesso a nível e jogabilidade, a verdade é que a nova personagem (e praticamente protagonista), Nero, acabou por se revelar desapontante em relação a Dante visto que os dois eram completamente diferentes. Mesmo assim o jogo manteve a jogabilidade rápida e cheia de ritmo característica da série o que acabou por o tornar, mesmo assim, um bom jogo o que torna as críticas extremamente negativas algo um pouco incompreensível para mim, podendo apenas ser explicadas pelo facto de ter sido lançado exactamente depois de Devil May Cry 3.

Devil May Cry 4 foi lançado em inícios de 2008 e, escusado será dizer, que as minhas expectativas continuaram altas para o próximo jogo da série. Devido ao aumento da experiência da equipa na nova geração, as minhas esperanças que produzissem um rival de Devil May Cry 3 foram renovadas e esperei meses a fio por um eventual anúncio da Capcom de uma sequela de Devil May Cry.

Já no início do ano de 2010 comecei a ler rumores que me puseram um pouco receoso. Os ditos rumores colocavam como hipótese a produção do próximo Devil May Cry nas mãos da novata Ninja Theory, algo que não olhei com muitos bons olhos. E porquê esta reacção de teor duvidoso? Perguntam vocês. Porque, entretanto, já havia jogado e completado Heavenly Sword, que joguei devido ao estilo cinemático e às semelhanças com um hack ‘n slash. Sim “semelhanças” porque, digam o que disserem, o jogo não é um hack ‘n slash e sim um mediano jogo de acção onde, na minha opinião, só se aproveita o grande trabalho de Andy Serkis (no papel de King Bohan) e nada mais. O gameplay de Heavenly Sword é atabalhoado, confuso e algo imperdoável dada a época em que foi lançado (depois de dois títulos da série God of War, uma das franchises que mais inspirou os jogos de hoje em dia). Concluindo, a possibilidade de uma sequela de Devil May Cry estar a ser feita por uma produtora como a Ninja Theory era algo impossível para mim pelo facto de não compreender o porquê dessa escolha pela Capcom.

Incrivelmente, e contra todos os meus desejos, a Capcom anunciou na edição de 2010 do Tokyo Game Show que, de facto, estavam a depositar a franchise Devil May Cry nas mãos da Ninja Theory. Mais do que uma sequela, a Ninja Theory está, neste momento encarregada do reboot da série, algo que vejo como uma espécie de “bónus” em toda esta situação. É difícil descrever a minha reacção ao ver o trailer de DmC (um nome deveras inteligente dado por parte da Ninja Theory que, por incrível que pareça, é uma sigla para Devil May Cry), visto que situou entre a pura estupefacção e ímpetos à la Hostel. Mesmo que este sentimento se tenha vindo a suavizar, a verdade é que a minha forma de ver este reboot enquanto fã de Devil May Cry se mantém intacta.

Não por ser um reboot, pois acho que este processo poderia ser proveitoso para a franchise, mas sim por se encontrar nas mãos de uma produtora como a Ninja Theory. Não me entendam mal, considero que a Ninja Theory tem pontos fortes enquanto produtora, sendo um deles a sua capacidade enquanto contadores de histórias e criação de personagens, algo que acabou por notabilizar tanto Heavenly Sword como Enslaved. O seu trabalho em matéria de recriação de expressões faciais também é notável e algo em que, sem dúvida, deveriam continuar a investir. No entanto, sejamos honestos, nem Heavenly Sword nem Enslaved são jogos brilhantes no departamento de gameplay, nem a nível de plataformas nem a nível de combate propriamente dito. Confesso que a série Devil May Cry não é perfeita e poderia beneficiar de uma parceria com a Ninja Theory, que contribuiria com a narrativa e argumento, no entanto, o combate sempre foi o principal foco de Devil May Cry e, dada a pouca experiência da Ninja Theory em fazer sistemas de combate, tenho sérias dúvidas que conseguiria criar um digno de um Devil May Cry, um dos principais hack ‘n slashes da indústria.

Diga-se também que o facto da Ninja Theory ter mudado completamente o visual de Dante foi o suficiente para não ficar a olhar da melhor maneira este reboot. Em vez de um Dante confiante, vaidoso e cheio de estilo, a Ninja Theory presenteou-nos com um jovem com problemas mentais, aspecto de drogado e sem os seus característicos cabelos brancos e casaco vermelho.

É claro que sei que a culpa disto não é inteiramente da Ninja Theory e que a Capcom também tem culpa no cartório. Apesar de possuir um bom conjunto de fãs fiéis, a verdade é que Devil May Cry nunca agradou a um grande número de jogadores e foi, sem dúvida, um dos motivos da decisão de um reboot por uma produtora que não a Capcom. Percebo perfeitamente que, enquanto empresa, a Capcom tenha uma grande necessidade de lucrar com cada franchise que possuí (ainda para mais dado o panorama económico mundial) mas penso que não tinham necessidade de ir tão longe na reformulação da série e principalmente na nova caracterização de Dante. Ao contrário de reboots como Castlevania: Lords of Shadow e Tomb Raider, que mantiveram a sua identidade ao mesmo tempo que exploravam novos conceitos, DmC está, para mim, quase a passar o limite da total descaracterização porque, mesmo que a jogabilidade seja, como já disse, fulcral em Devil May Cry, grande parte da fatia do que é a franchise está, realmente, em Dante. Digo isto porque um dos ponto negativos que reconheço em Devil May Cry 4 é precisamente o facto de ter dado muito pouco “tempo de antena” ao filho de Sparda, o que, aos olhos de muitos fãs, desvalorizou o jogo face aos anteriores.

Todavia, e ao contrário do que possa parecer, DmC pode, na minha opinião, ter sucesso. Para isto, a Capcom terá de permitir que voltem a um Dante mais convencional e manter intacto o espírito over the top da franchise (quer a nível de cenas de acção quer a nível de gameplay). A introdução de uma narrativa cuidada e interessante pode também, como já referi, levar a série a um novo público e beneficiá-la.

No entanto, a triste verdade é que não estou à espera de nada disto. A julgar por Heavenly Sword e Enslaved a Ninja Theory não irá conseguir fazer um bom sistema de combate em DmC e tenho quase a certeza que por muitos pedidos que os fãs façam, a Capcom não irá permitir o regresso do Dante que todos conhecemos, pelo menos neste reboot.

Este artigo de opinião pode soar desnecessário visto que apenas um trailer e alguns detalhes vieram à superfície mas, o rumor de que DmC poderá fazer uma aparição na edição de 2011 da E3 levou-me a partilhar o que sinto em relação ao reboot da série Devil May Cry. Tudo o que disse pode não passar de um simples rant e há, claro, a possibilidade de o jogo ser bastante bom mas, a verdade é que, até agora, tem sido uma fonte de grande desdém da minha parte visto que estou a ver uma das minhas franchises preferidas assim como uma das melhores do género a desaparecer em prol de lucros mais fáceis.

O que acham vocês de tudo isto? Acham que a decisão da Capcom de dar um recomeço a Devil May Cry tem razão de ser? Estão à espera de DmC? Deixem os vossos comentários em baixo.

I’ll be Quack!

Podem ler esta rubrica no portal MyGames.

9 responses

2 10 2011
Igor Gonçalves Do Valle

Espero que nem seja lançado o jogo ficou um lixo da vontade de dar um tiro na testa de quem decidiu isso tipo se pelomenos mantivessem o antigo dante tava melhor.

29 10 2011
matheus

tem razão
o próximo dmc da capcom ficou maior lixo
o dante deveria ser igual o do dmc 4

7 05 2012
maxi

já vi o gameplay e olha,não ficou tão ruim. dmc 5 tem jogabilidade boa

8 05 2012
elgrandepato

Se fosse Devil May Cry 5 estávamos nós bem 😉 posso até estar enganado mas o jogo parece-me mais lento e fácil.

18 12 2012
Yuri Santos Beringuel

Esse site eo o jogo e demais Adoro o site valew !!!!!!!

18 12 2012
Yuri Santos Beringuel

jogo dmais esse jogo i gosto muito dele

17 03 2013
luciano

jogo este jogo devil may cry 4 no meu xbox

17 03 2013
vinicius

voltei

19 03 2013
vinicius

oi voltei estou em mg tres coraçoes

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