Qualidade > Quantidade

Para além de gostar de relembrar jogos antigos e os belos momentos que passei com eles dou por mim também às vezes a pensar no que nos reserva o futuro da indústria dos videojogos. Não são raras as vezes que penso nisto e dou por mim com a certeza que o futuro será muito melhor para a indústria visto que agora dispõe de mais recursos que nunca.

Contudo, ao olhar com mais atenção, também não faltam as vezes que concluo que o futuro pode não ser assim tão bom como poderia ser. Isto está relacionado com fortes tendências na indústria como é o caso dos jogos casuais.

Mas para melhor explicar a minha opinião nada como ilustrar uma situação que suponho que tenha sido (e talvez ainda seja) comum a todos nós: a de “olharem de lado” para nós enquanto jogadores. Ao dizermos que gostamos de jogar a outras pessoas estamos, por vezes, a ser olhados como se representássemos todo o mal da sociedade. Uma situação nada agradável e que, tal como é a ordem natural das coisas, tem vindo a ser cada vez menos frequente uma vez que cada mais pessoas se rendem às maravilhas dos videojogos.

Ao longo de todas as gerações de consolas e computadores, os jogos têm ganho novos géneros e os gráficos, bandas sonoras, narrativas e gameplay têm sido afinados trazendo muito mais atenção do público em geral. É certo que os custos de produção de jogos para as consolas caseiras desta geração estão mais altos que nunca mas a importância desta forma de entretenimento já se tornou algo impossível de ignorar para todos os que a consideravam como uma simples perda de tempo.

Apesar de todas as mega-produções com grandes temáticas capazes de despertar todo o tipo de emoções no jogador, a indústria procura sempre o maior número de pessoas para comprar os seus jogos e é precisamente através dos jogos casuais que isto tem estado a acontecer.

Num mercado praticamente começado pela Wii e pelos jogos destinados a famílias (como Wii Sports) começaram também a surgir jogos como Farmville e Angry Birds que deram a conhecer o mundo dos videojogos a um número inimaginável de pessoas. Através do Facebook e da Apple Store, os utilizadores destes serviços têm acesso a um bom número de jogos com uma acessibilidade rápida e confortável e com preços bastante reduzidos. Diga-se também que os custos de produção destes jogos são ínfimos, pelo que acaba por tornar este mercado bastante apetecível, seja para criadores independentes como para produtoras veteranas na indústria.

A juntar à epidemia de jogos com modos online (a qual compreendo mas que mesmo assim sou completamente contra) esta “mania” dos jogos casuais é algo que parece ser para durar, dado que é das áreas da indústria com mais crescimento dos últimos tempos. O que acontecerá então a franchises como The Legend of Zelda e Metal Gear Solid? Como é natural não tenho a resposta para esta questão sendo apenas capaz de formular outra: que espécie de entretenimento é que jogos como os que são oferecidos no Facebook e Apple Store oferecem? Na minha opinião estes são jogos vazios, desprovidos de qualquer conteúdo e que se destinam a apenas a uma coisa: jogar e deitar fora.

Por muito divertido que seja jogar por uns dias Angry Birds (ou até outro jogo qualquer) é certo que não vos irá agarrar por muito mais tempo. O preço que tem afixado é realmente o valor dele (mísero) o que quer dizer que não é um opção viável para substituir os jogos “de verdade”. Para ser honesto preocupa-me que estes jogos possam destruir a imagem que os videojogos têm vindo a tentar construir: a de um meio de entretenimento com temas profundos e até capazes de se equipararem a obras de arte. Não defendo que todos os jogos deviam ser GOTY’s porque (e como é bem sabido) “o doce nunca seria tão doce sem o amargo” mas considero que estamos a assistir a um número desmesurado de jogos casuais. E tudo em troca de lucro fácil.

Por outro lado acho extremamente divertido declarações de pessoas como o senhor Peter Vesterback (presidente da Rovio) que não só fala como se o seu Angry Birds fosse capaz de responder às necessidades de todos os jogadores como ainda dizer que os jogos de consola estão a morrer. Realmente parece que há alturas em que nos temos de meter no nosso lugar e deixar os “crescidos” tratar das coisas.

Posto isto, resta-me esperar que as produtoras vejam o que é realmente importante e que ofereçam aos fãs o que eles esperam de si enquanto portadoras das suas séries de eleição. Espero também que esta seja apenas uma “fase parva” e que assistamos a uma nova idade de ouro na indústria dos videojogos onde surjam jogos capazes de perdurar pelas décadas vindouras como tem sido até aqui.

I’ll be Quack!

Podem também ver este artigo no portal MyGames

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