Realidade alternativa

Como convencer um jogador a comprar determinado jogo? Mesmo com a existência de demos o facto é que a primeira impressão de um jogo é importantíssima e ajuda a construir uma expectativa que se pode prolongar até ao lançamento de jogo. Todos nos lembramos de trailers que nos deixaram arrebatados e com um pensamento de “Tenho de o comprar!” e isto reflecte na perfeição o porquê das produtoras apostarem cada vez mais na produção de trailers.

Há, então, que apelar à componente visual do jogo e é aqui que os gráficos ganham uma importância acrescida visto que é o primeiro elemento do jogo com que o jogador tem contacto. Não é difícil olhar para o passado e ver que, ao longo de todas as gerações de consolas, o grafismo tem tido uma evolução estável e se encontra hoje em níveis de realismo inacreditáveis. As produtoras têm-se esforçado para este fim culminando em jogos como Crysis, Heavy Rain e até L.A. Noire, todos eles com um grafismo exemplar. Contudo, nem sempre fazer gráficos realistas esteve ao alcance dos produtores, algo que, obviamente, não os impediu de tentar. Quem não se lembra do nível detalhe do primeiro Resident Evil? No seu tempo foi algo nunca antes visto mas e agora? Quantos destes jogos conseguiram manter o nível de qualidade até hoje, não em termos de realismo, mas de forma que permita aos jogadores ainda apreciarem esses jogos tal como são.

Infelizmente, exemplos de grafismo datado não são raros, podendo-se encontrar até em jogos icónicos como Final Fantasy VII. Este jogo é, sem dúvida, um dos melhores na série e ainda figura como um dos meus preferidos mas a verdade é que os gráficos continuam a ser apontados como um dos principais motivos para jogadores interessados não o jogarem e até para ser levado a cabo o tão badalado remake. Reconheço que nunca nos devemos deixar influenciar tanto pelo grafismo em detrimento do conteúdo mas as personagens feitas de polígonos (literalmente) envelheceram muito mal. Em contraponto deixo o exemplo de Parappa the Rapper, um jogo de ritmo que, mesmo não partilhando nada em comum com o jogo da Square-Enix, apresenta gráficos estilizados que ainda hoje se mantêm agradáveis à vista. Tendo como base o que parecem ser folhas de papel, os gráficos deixam transparecer na perfeição todo o estilo e carisma das personagens do jogo ao mesmo tempo que lhe dá um estilo único. Este formato foi também adoptado pela Nintendo com Super Paper Mario, que conseguiu reunir elementos suficientes para se tornar um spin-off de grande qualidade da mascote da gigante nipónica.

Todos gostamos de ver gráficos realistas (e reconheço a sua importância em jogos como Red Dead Redemption na hora de criar um ambiente credível) mas a verdade é que gráficos que recorrem a um forte design artístico têm muito mais valor para mim. Não só mostra o esforço dos produtores em tornar o seu jogo original como também dá ao jogo uma personalidade e um carisma únicos, ao mesmo tempo que torna o jogo intemporal e acessível a várias gerações de jogadores.

Shadow of the Colossus é um excelente jogo e ainda hoje consegue impressionar com o tamanho dos seus gigantes de pedra (e certamente sempre será assim) mas a sua qualidade gráfico conseguirá resistir ao teste do tempo? Não tenho esta resposta mas tenho a certeza que jogos como The Legendo f Zelda: Wind Waker e Okami irão manter-se de boa saúde por muito tempo. Mesmo tendo semeado a discórdia antes do seu lançamento, Wind Waker deslumbrou com o seu grafismo em cel shading, construindo um oceano inteiro (com respectivas ilhas) de forma magistral, ao mesmo tempo que deu uma personalidade nunca antes vista ao protagonista Link. Okami é outro bom exemplo de intemporalidade. O grafismo também tem como base a técnica cel shading mas, neste caso, é usada de forma a assemelhar-se a uma pintura tipicamente japonesa o que lhe confere um estilo nunca antes visto, ao mesmo tempo que serve como argumento para todos aqueles que defendem que os videojogos são uma forma de arte.

Dou ainda o exemplo de Kirby’s Epic Yarn com o seu grafismo baseado em diferentes tipos de tecido. Ao divergir do que a série tinha habituado os fãs o novo jogo de Kirby foi aclamado pela crítica especializada ao ter um dos melhores designs artísticos alguma vez feitos.

Não quero ser mal interpretado porque, apesar dos meus gostos pessoais, a verdade é que considero os gráficos estilizados tão importantes como os realistas mas receio que, com esta geração e o sonho de fazer jogos fotorealistas, o número de produtores empenhado em fazer gráficos originais e únicos tem decrescido. Dado o grande número de FPS’s no mercado (sempre bons para mostrar bom grafismo) jogos como Borderlands e até o velhinho XIII (que continua tão agradável como sempre) são excelentes opções para qualquer jogador sendo que, de novo, a vontade de experimentar coisas novas deve estar sempre presente.

Desta maneira despeço-me mas:

I’ll be Quack!

Podem ainda ver este artigo no portal MyGames.

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